Nessa semana, mais uma vez, a Constantinople – hard fork extremamente aguardado da – foi postergada. Essa atualização resolveria majoritariamente problemas relacionados à criptoeconomia do Ethereum. Assim como no , para usar a blockchain da Ethereum, pagam-se taxas aos mineradores que garantem a segurança das transações. Dada a complexidade das operações possíveis no Ethereum, a quantidade de taxas paga não necessariamente é ótima; alterações nas operações e custos podem e devem ser feitas conforme a rede se moderniza.

Ethereum Gráfico Semanal

Ethereum Gráfico Semanal

Apesar de menos esperadas e complexas que as tão esperadas sharding e proof-of-stake, tecnologias que prometem escalar a blockchain, essas mudanças do Constantinople são importantes para a sustentabilidade, sistema de incentivos e segurança da rede. Por isso mesmo, há certa frustração com esse atraso: se mesmo atualizações cujo risco era percebido como baixo foram problemáticas, o que dizer de tecnologias contestadas como as prometidas para maior escalabilidade?

A razão é que, na verdade, houve um bom motivo para o adiamento. Uma das atualizações reduzia o custo de uma operação – SSTORE – e isso poderia afetar contratos já existentes. Apesar de não garantido que afetaria, foi descoberto que havia uma chance não-zero desse problema. Haveria o chamado reentrancy attack: um bug que permite “interceptar” recursos de um canal de pagamento. Esse mesmo ataque foi importante no TheDAO (como pode ser visto nesse link). O core do Ethereum, portanto, decidiu ser conservador ao adiar e tecnicamente creio que seja uma escolha correta.

O aspecto que me leva a questionar a decisão é que essa foi uma maneira péssima de lidar com sua própria comunidade. Já há certa apreensão após a queda generalizada do mercado e, principalmente, das altcoins em relação ao Bitcoin; com esse segundo adiamento (sim, já houve episódios anteriores a ansiedade de holders e investidores aumenta. Com essa maior ansiedade, há queda forte nos preços. A falha encontrada não era improvável, posto que os reentrancy attacks são conhecidos antigos do Ethereum. Se a abordagem final seria conservadora, então não há como não esperar que houvesse riscos ao modificar funções importantes e basilares da tecnologia.

Anunciar uma data sem longas etapas de teste não foi uma escolha razoável. Por mais que o adiamento faça parte de um approach que, acredito, a maioria concorde, a condução do projeto não foi correta. Esse tipo de problema enfraquece não apenas a percepção de capacidade técnica, mas também a credibilidade gerencial do core. O Ethereum tem pesquisadores – dentre eles Vlad Zamfir, responsável pela transação de Proof-of-Work para Proof-of-Stake – que reconhecem a governança de uma criptomoeda como mais que uma escolha dos core developers e mineradores, mas também investidores, comunidade e true believers da tecnologia. Conduzir erradamente como todos esses se sentiriam numa falha é algo que contradiz o que é propagado por parte de seu time.

Portanto, vejo o atual postergamento como parcialmente acertado, porém completamente mal conduzido e justificando a forte queda nos preços. Sinceramente não vejo um motivo forte para abandonar o projeto com o adiamento, mas certamente a queda pode vir a ser uma lição para o core. Mais que problemas com tecnologias, o core do Ethereum peca por criar muitas expectativas e, posteriormente, frustrá-las. Há muitas tecnologias top 20 cujo roadmap passa desapercebido – se é que há um bom projeto de evolução – e mesmo assim retém algum valor. Mais do que seu código, o Ethereum precisa melhorar bastante sua comunicação para se tornar um investimento menos volátil. Com esse padrão, é inevitável que investidores mais avessos ao risco tenham motivos para, por enquanto, se manter mais ligados ao Bitcoin que a outras tecnologias.

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