Nessa semana, dia 5 de janeiro, o foi atacado. Esse tipo de ataque se baseia em dominar mais de 50% da produção de hash rate e leva a possibilidades de double spend, que seria análogo a uma falsificação temporária de dinheiro físico. A equipe do Ethereum Classic argumentou que não houve double spend; o fenômeno do ataque teria sido causado por uma mining pool testando uma nova tecnologia de mineração. Essa resposta, ainda pouco crível, não foi suficiente para reduzir as denúncias iniciais.

Entretanto, algo diferente aconteceu. De acordo com pesquisa acadêmica rigorosa (que pode ser vista aqui, normalmente um ataque desses leva a quedas sustentadas e razoavelmente fortes – 12% a 15% – nas criptomoedas que sofrem, mas com o Ethereum Classic a queda foi consideravelmente menor. Dia 6 houve uma queda de valor em termos de , porém menor que 10%. O que aconteceu: um ataque se passou e traders não se importaram? O que guia a cabeça dos investidores.

Esse caso atual mostra mais uma evidência, de certa maneira, que o mundo das criptomoedas é extremamente não-linear. A pesquisa acadêmica contemporânea indica possível causação entre hash rate e preço. Eu aposto numa relação bicausal de feedback. Por um lado, preços mais altos causam a entrada de mineradores; por outro, maior segurança traz maior interessem em participar na rede, ou seja, maior demanda e maiores preços. Uma rede como a Ethereum Classic possui pouquíssima capitalização se comparada às redes mais seguras e transacionadas como Bitcoin e Ethereum. Talvez, efetivamente, a queda seja pequena porque já está precificada.

Costumo dizer que é difícil afirmar que as teorias de eficiência de mercado se aplicam no Bitcoin e demais criptomoedas. Atualmente, há possibilidades consistentes e expressivas de retornos usando indicadores técnicos, por exemplo. Contudo, no que diz respeito a tecnologia eu e uma pesquisadora da FGV mostramos que há, sim, elementos de eficiência: traders respondem negativamente a falhas tecnológicas, de ataques a críticas teóricas ilustrando cenários futuros indesejados. A diferença de capitalização pode vir, em parte, desses fatores, mostrando alguma racionalidade do mercado.

Acredito, portanto, que o investimento numa pequena criptomoeda é, em grande parte, um investimento fundamentalmente nessa tecnologia se tornar segura um dia. Isso pode ser feito por meio de uma tecnologia disruptiva, marketing ou adoção por grandes players, contudo maior interesse deve ocorrer para a criptomoeda se valorizar. A questão tostines que fica é: fazer a criptomoeda ter maior segurança e aí se valorizar, ou fazer a moeda se valorizar e aí ter maior segurança? Tendo a valorizar a segunda opção. A primeira é baseada em mineração ou tecnologia disruptiva – novos algoritmos de consenso – que, normalmente, trazem fortes custos de capital ou uma compreensão da tecnologia que não se sabe se será consensual. A segunda consiste em ter algo que faça consumidores pensarem em usar a criptomoeda mesmo que haja algum risco.

O problema é que não é trivial encontrar uma aplicação que compense eventuais riscos. Conforme disse no , há fortes motivos para as maiores criptomoedas, ou as criptomoedas que já nascem grandes, continuarem assim. Há grandes chances de uma pequena criptomoeda crescer radicalmente – projetos como a Chainlink são interessantes –, mas os riscos associados são grandes, configuram barreiras e, possivelmente, são bem precificados.

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